Vale a pena ler de novo? Com a oferta de bons títulos gratuitos em português, leitores vêm experimentando e-books escritos quando internet e tablet não existiam nem sequer como palavras. Estudante de comunicação social em Belo Horizonte, Emanoel Ferreira, de 21 anos, conta que sempre leu os clássicos. Mas assim que comprou seu kindle (e-reader da Amazon, lançado em dezembro no Brasil), voltou a autores como Machado de Assis e Aluísio Azevedo.
“Até para testar, para ver se o formato era bom ou legível, comecei com os livros gratuitos”, afirma ele, que tem comprado e-books com muita frequência. Outra leitura de graça, essa de uma obra que Emanoel não conhecia, foi 'Os miseráveis', de Victor Hugo. “Como você não tem nada a perder, vai e baixa os livros”, acrescenta ele, que guarda quase 100 títulos em seu kindle.
Os títulos oferecidos gratuitamente costumam variar. Para atrair novos leitores, ainda mais porque se trata de novidade no país, disponibilizam-se títulos gratuitamente apenas por um período. Foi dessa maneira que a advogada paulista Amanda Pedrazzoli, de 28, leu 'As viagens de Gulliver', de Jonathan Swift. Na lista dela também estão 'A relíquia' e 'O crime do padre Amaro', de Eça de Queirós, e 'Brás, Bexiga e Barra Funda', de Alcântara Machado.
Foco Machado de Assis foi um dos autores que o empresário paulista André Luís, de 52, releu assim que comprou seu e-reader. Entre os nomes mais contemporâneos, ele cita George R. R. Martin, J. R. R. Tolkien e José Saramago.
“Quero ler, isso é o meu foco. Tenho muitos livros repetidos por causa de detalhes. No caso de 'O Hobbit', do Tolkien, tenho um físico, um em Mobi (formato não protegido de arquivo para leitura nos aparelhos Kindle) e outro em PDF (outro formato de arquivo, aberto, que representa documentos independentemente do aplicativo), esse com edição muita antiga em português e ilustrações lindíssimas feitas pelo próprio autor”, conta André.
Muitos leitores disponibilizam arquivos na internet (não são os e-books chamados legais, adquiridos nas lojas). Sem entrar na discussão da pirataria na era virtual, muitos comentam que a oferta de edições gratuitas em português é ainda pequena nas lojas. “Ainda mais se comparada à de língua inglesa. Muitos livros de domínio público poderiam estar disponíveis, mas não estão. Ainda assim, tem muita coisa boa. Mas é preciso ficar atenta aos livros, principalmente de autores novos, disponíveis gratuitamente por tempo limitado”, ensina Amanda Pedrazzoli.
Se não são encontrados gratuitamente, pelo menos eles chegam ao leitor por valores muito baixos. Fã de ficção científica e fantasia, Emanoel Ferreira escreveu o conto “O deus alien”, à venda na loja Amazon por R$ 1,99. “No caso do autor independente, é ele quem define o valor que vai cobrar”, explica Emanoel.
E-books legais em português são comercializados em lojas como Gato Sabido e Livraria Cultura (essa com e-reader próprio, o chamado Kobo), que competem com as gigantes Amazon, Apple (com a iBookstore) e Google (Google Play), todas instaladas no país desde o ano passado.

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