As tarifas de telefonia móvel cobradas no Brasil são as mais caras
do mundo em termos absolutos, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira pela
União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão ligado às Nações Unidas.
De acordo com o levantamento, que tem como
base dados de 2012, o preço por minuto para ligação entre celulares de uma
mesma operadora é de 0,71 dólar no Brasil (dados de São Paulo), a mais cara
entre os 161 países analisados. Perto do Brasil estão Bélgica e Nova Zelândia,
com 0,70 dólar o minuto, e Suíça, com 0,68 dólar.
No México e na Argentina, o preço por
minuto é de 0,32 dólar, no Peru, de 0,18 dólar, e no Chile, 0,14 dólar.
No caso das ligações entre diferentes
operadoras, a ligação fica ainda mais cara no Brasil, com o valor de 0,74 dólar
o minuto. Entre os países com tarifa mais alta, estão Bélgica e Nova Zelândia
(0,70 dólar), Suíça (0,68 dólar), Argentina e Irlanda (0,63 dólar).
Na Rússia, a ligação para diferentes
operadoras custa apenas 0,09 centavos o minuto, na África do Sul, 0,40 dólar, e
na Índia, 0,02 dólar.
De acordo com a associação das operadoras
de telecomunicações no Brasil, a Telebrasil, o estudo leva em conta apenas o
preço máximo adotado pelas operadoras. "Com isso, o resultado do relatório
não reflete a realidade brasileira, formada por uma grande variedade de planos
alternativos, com preços muito mais baratos", afirmou a entidade em
comunicado.
A Telebrasil também citou a carga
tributária brasileira como fator de encarecimento da telefonia móvel no país.
O estudo apresenta também resultados da
cesta de preços dos serviços de telecomunicações, formada pela composição de
preços de telefonia fixa, móvel e Internet banda larga fixa computados como um
percentual do Produto Nacional Bruto per capita (PNB per capita).
A cesta de preços avalia o quanto os
serviços estão acessíveis tanto em valores absolutos quanto relativamente ao
paridade do poder de compra (purchasing power parity - PPP) das populações.
De acordo com a metodologia aplicada pela
UIT, as três primeiras posições no ranking de menores custos dos serviços estão
ocupadas por Macau (China), Qatar e Hong Kong (China), onde os usuários gastam,
respectivamente, 0,2 por cento, 0,4 por cento e 0,4 por cento de suas rendas
com a cesta de serviços de telefonia fixa, móvel e banda larga.
Nessa metodologia, o Brasil registra 4 por
cento da renda do cidadão consumida pela cesta de serviços.
Penetração
O estudo mostrou ainda que o Brasil
permaneceu em 62º lugar no ranking de 157 países mais conectados à Internet e à
telefonia celular e fixa no mundo, apesar do índice brasileiro ter subido de
4,59 para 5,00.
O ranking é liderado pela Coreia do Sul,
com índice de 8,57, seguida por Suécia, Islândia, Dinamarca, Finlândia, Noruega
e Países Baixos.
Os cinco países que mais subiram foram
Emirados Árabes Unidos, Líbano, Barbados, Seychelles e Bielorrússia.
De acordo com o relatório, publicado desde
2009, no Brasil a penetração da banda larga móvel aumentou de 22 por cento em
2011 para 37 por cento ao fim de 2012, sendo que 88 por cento da população
estava coberta com a tecnologia 3G.
A proporção de domicílios com computador
no Brasil, de acordo com a UIT, subiu de 45 por cento para 50 por cento no fim
de 2012. A proporção de domicílios com acesso à Internet também cresceu,
passando de 38 por cento em 2011 para 45 por cento em 2012.
Segundo o estudo, um dos motivos que
explica tal crescimento é o Plano Nacional de Banda Larga, que prevê medidas
para levar o acesso à Internet em banda larga para mais de 40 milhões de
domicílios no país até 2014.

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